O mecânico de aeronaves e empreendedor Lito Sousa, que morreu aos 59 anos em 1º de outubro, tornou-se uma das principais referências da aviação brasileira na internet. Com uma linguagem simples, carisma e conhecimento técnico, ele ajudou a levar informações sobre aviões e os bastidores do setor para um público que, até então, tinha pouco contato com esse universo.

Natural do Rio Grande do Norte e criado em Santos, no litoral paulista, Lito começou interessado por navios, mas acabou se apaixonando pela aviação. Formou-se em mecânica de manutenção de aeronaves e construiu carreira em empresas como Varig e Transbrasil. Mais tarde, trabalhou por 25 anos na companhia norte-americana United Airlines, onde encerrou sua trajetória como profissional da manutenção.

Foi a partir dessa experiência que surgiu o projeto Aviões e Músicas, inicialmente criado como um blog para compartilhar conhecimentos, curiosidades e histórias do setor. O conteúdo ganhou força e posteriormente chegou ao YouTube, onde Lito passou a explicar temas técnicos de maneira acessível.

Quando seu canal começou a ganhar destaque, por volta de 2012, assuntos relacionados à aviação apareciam principalmente em veículos especializados ou em reportagens com foco econômico. Lito ajudou a ampliar esse cenário ao apresentar o funcionamento dos aviões, a rotina dos profissionais e histórias pouco conhecidas para pessoas que não eram especialistas.

Uma das experiências marcantes de sua carreira ocorreu no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo. Ele aceitou uma proposta para trabalhar na manutenção de aeronaves no país e encontrou condições de trabalho bastante diferentes das que conhecia. A experiência posteriormente foi relatada no livro Onde Morrem os Aviões.

Ao longo dos anos, Lito também se destacou por explicar situações complexas de forma didática. Entre seus conteúdos estavam histórias de acidentes, curiosidades sobre aeronaves e relatos da rotina da aviação. O quadro “Senta que lá vem história”, publicado aos domingos, tornou-se um dos espaços em que compartilhava episódios históricos e acontecimentos curiosos do setor.

Além da produção de conteúdo, ele criou empresas ligadas à aviação. Nos últimos anos, passou a investir na formação de novos profissionais, incluindo uma escola voltada para mecânicos de manutenção de aeronaves. Também oferecia um curso destinado a pessoas que tinham medo de voar.

Lito chegou a ser alvo de críticas dentro do próprio meio aeronáutico por, segundo alguns profissionais, simplificar determinados assuntos. A avaliação apresentada pelo colunista do UOL é que essa adaptação da linguagem era justamente uma das características que permitiam que informações técnicas chegassem a um público mais amplo, sem abandonar a precisão dos conceitos.

Após a divulgação de sua doença, uma mobilização de admiradores e produtores de conteúdo ajudou a manter seu trabalho em evidência. Sua morte provocou manifestações de pesar de profissionais e empresas do setor aéreo. Companhias como Azul e Gol destacaram a contribuição de Lito para aproximar o público da aviação.

Com uma trajetória construída entre a manutenção de aeronaves, o empreendedorismo e a produção de conteúdo, Lito Sousa deixou uma marca na divulgação da cultura aeronáutica no Brasil.