Desde o dia 1º de agosto, a gasolina comum comercializada em todo o Brasil passou a conter 32% de etanol anidro em sua composição. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), elevou o percentual de álcool na mistura e tem provocado dúvidas entre motoristas, além de preocupações no setor automotivo sobre os possíveis impactos no desempenho e na durabilidade dos veículos.

De acordo com especialistas, os efeitos da nova composição tendem a ser mais perceptíveis em veículos antigos, principalmente aqueles equipados com carburador ou fabricados antes da popularização da injeção eletrônica. No entanto, carros mais modernos também podem apresentar alterações no consumo de combustível e no funcionamento do motor, dependendo do projeto e da manutenção realizada.

O principal motivo é que o etanol possui um poder calorífico menor do que a gasolina, ou seja, libera menos energia durante a combustão. Com isso, o motor precisa consumir um volume maior de combustível para entregar o mesmo desempenho. A expectativa é de que alguns veículos registrem um aumento de até 5% no consumo, reduzindo a autonomia entre os abastecimentos.

Outro fator apontado pelos técnicos é que motores desenvolvidos para funcionar exclusivamente com gasolina possuem uma taxa de compressão diferente da utilizada em veículos flex. Com a maior presença de etanol na mistura, podem ocorrer dificuldades na combustão, causando perda de potência, funcionamento irregular em marcha lenta e, em algumas situações, partidas mais difíceis em dias frios.

A alteração também exige atenção redobrada à manutenção preventiva. Componentes como bomba de combustível, bicos injetores, velas de ignição, catalisador, mangueiras e filtros podem sofrer desgaste mais acelerado caso o sistema de alimentação do veículo não esteja em boas condições.

Nos automóveis mais antigos, especialmente os que utilizam tanques metálicos e carburadores, o risco é considerado maior. O etanol possui características que favorecem a absorção de umidade, podendo contribuir para processos de corrosão em peças metálicas e exigir regulagens mais frequentes para manter o bom funcionamento do motor.

Já nos veículos equipados com injeção eletrônica, a maioria dos sistemas consegue realizar ajustes automáticos na mistura ar-combustível. Mesmo assim, especialistas recomendam verificar se há atualizações disponíveis para a central eletrônica do veículo (ECU), além de seguir rigorosamente o plano de revisões indicado pela montadora.

Apesar das preocupações levantadas por parte do setor automotivo, a nova composição faz parte da estratégia do governo para ampliar o uso de combustíveis renováveis, reduzir a dependência de derivados do petróleo e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Para os motoristas, a orientação é acompanhar o comportamento do veículo após o abastecimento e manter a manutenção em dia para evitar problemas e preservar o desempenho do motor.