O comandante indiano Smit Machchhar, da Flydubai, relatou que abriu a porta da cabine de comando mesmo gravemente ferido durante um ataque cometido pelo copiloto de um voo com destino a Tel Aviv. Segundo ele, a decisão foi tomada quando percebeu que a aeronave estava perdendo altitude e que outros passageiros poderiam morrer.
Machchhar contou o episódio durante uma conversa por videochamada com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, nesta sexta-feira (2). O piloto afirmou que estava caído no chão e havia sofrido diversos ferimentos quando percebeu que aquela poderia ser sua última oportunidade de agir.
De acordo com o comandante, ele conseguiu abrir a porta enquanto ainda era atacado. Com a cabine acessível, passageiros correram para o local e ajudaram a imobilizar o agressor. Dois pilotos da Flydubai que estavam entre os passageiros também assumiram os controles da aeronave.
Avião perdeu cerca de 17 mil pés de altitude
O incidente aconteceu na quarta-feira (30), durante o voo FZ1073, que fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv. O Boeing 737 transportava 174 pessoas, incluindo 166 israelenses.
Segundo dados citados pelo UOL, a aeronave perdeu aproximadamente 17 mil pés, o equivalente a 5,2 mil metros, de altitude em cerca de um minuto. O avião chegou a emitir um alerta de emergência e posteriormente foi utilizado o código 7500, associado a situações de sequestro.
O copiloto teria atacado Machchhar com uma faca durante o voo. Passageiros que perceberam a situação correram para a parte dianteira do avião e ajudaram a controlar o homem.
Após a retomada do controle, a aeronave foi desviada e realizou um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita. Posteriormente, os passageiros foram encaminhados para outro voo com destino a Israel.
Piloto segue em recuperação
Machchhar foi levado inicialmente para um hospital na Arábia Saudita e depois transferido para Abu Dhabi. A embaixada da Índia informou que o comandante estava se recuperando bem.
Durante a conversa com Modi, o piloto afirmou que encara a recuperação como um processo que levará tempo, mas demonstrou confiança de que voltará a ficar saudável. Ele também contou que trabalha na aviação há 17 anos e atua como comandante há 11 anos.
As circunstâncias e a motivação do ataque ainda são investigadas pelas autoridades. A companhia aérea Flydubai afirmou que o episódio está sob investigação e pediu cautela antes de conclusões definitivas.